

Marcela Marcos
Publicado em 13 de maio de 2026 às 19:26h.
Os slides estão prontos, você já ensaiou o que dizer, mas assim que abre a boca o seu coração acelera e a mente apaga. Se essa cena já aconteceu na sua vida, você não está sozinho: o medo de falar em público é real e funciona como um freio para a maior parte dos trabalhadores, principalmente os que estão no início de carreira.
Um levantamento realizado entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024 com 3.266 brasileiros (divulgado pela CNN Brasil) revelou que 68% da população relatam se sentir nervosos, ansiosos ou tensos com frequência o que ajuda a explicar a alta incidência do tal “medo de falar em público”.
A boa notícia é que, assim como outros medos famosos (como o de altura ou de avião), é possível enfrentá-lo. Falar em público é uma habilidade que pode ser treinada. E quanto mais você pratica, melhor fica.
Quer outro incentivo para dominar essa competência? Saber se comunicar de forma clara e em ambientes de alta pressão — como para defender uma ideia ou liderar um projeto — virou uma habilidade corporativa muito importante para quem quer crescer e se destacar na carreira.
O medo de falar em público tem até nome: glossofobia. Em outras palavras, ele está ligado ao medo de julgamento, aquela sensação de que todo mundo está analisando cada palavra sua.
Quando o cérebro interpreta a situação como ameaça, o corpo reage e acontecem os famosos “brancos” na memória.
Aqui entra uma mudança importante de perspectiva. Falar bem não tem nada a ver com ser um apresentador de TV. É sobre conseguir passar uma ideia de forma clara. Ou seja, a famosa oratória é a capacidade de transmitir uma mensagem.
A melhor forma de diminuir o nervosismo passa pela preparação. A seguir, um passo a passo para aplicar já na próxima apresentação.
Antes de pensar no que você vai falar, pense nas pessoas. Quem vai te ouvir? O que elas já sabem sobre o assunto?
Ter essas respostas em mente contribui para ajustar o tom e o vocabulário. A conversa com gestores pede objetividade. A conversa com colegas de equipe permite ser mais direto e didático.
Se você já ficou perdido ouvindo alguém falar, a falta de estrutura provavelmente foi o problema.
Uma forma de resolver isso é dividir a fala em três blocos: no começo, contextualize ou traga um gancho; no meio, desenvolva a ideia; no fim, conclua com os próximos passos.
No desenvolvimento, foque em poucos pontos. O ideal é explorar no máximo três argumentos.
A ansiedade bagunça a respiração, e isso impacta a voz.
Antes de começar, inspire pelo nariz, expanda o abdômen e solte o ar pela boca de forma lenta. Repetir esse processo algumas vezes já ajuda a desacelerar o corpo.
Antes de você falar, seu corpo já está “falando”. Alguns ajustes simples fazem diferença:
E, sim, gestos de forma fluida reforçam o que está sendo dito e tornam a comunicação mais natural.
Tentar decorar palavra por palavra é uma armadilha, porque é só você esquecer uma única frase que o nervosismo aumenta e o raciocínio volta a travar. O melhor caminho é entender os tópicos principais e treinar explicando em voz alta.
Uma dica prática: grave um vídeo curto explicando o tema. A gravação vai revelar onde o raciocínio está confuso ou repetitivo.
Leia mais: Como lidar com medos e inseguranças na carreira?
Os imprevistos acontecem até com quem tem experiência. Esqueceu algo? Travou no meio? Não precisa entrar em pânico. Faça uma pausa, respire e, se precisar, tome um gole de água antes de continuar. Os erros pequenos erros passam despercebidos.
Outro ponto é evitar ler slides. Eles devem ser somente o apoio visual, com gráficos e palavras-chave que ilustrem a ideia. A leitura na tela quebra a conexão com quem está ouvindo.
Leia Mais: Como aplicar a comunicação não-violenta no trabalho em equipe e desarmar conflitos
Se você está começando a carreira, falar em público pode parecer secundário, mas está longe de ser!
A forma como você comunica o que faz pesa tanto quanto o que você faz. Uma pesquisa da Amcham, repercutida pela Exame, mostra que 58% dos CEOs e gestores apontam a comunicação assertiva como a habilidade mais importante para líderes.
Há situações do dia a dia que deixam isso evidente, como explicar um raciocínio em reunião, defender uma ideia para o time ou apresentar um resultado para seu gestor.
O problema é que quem não fala acaba ficando nos bastidores, mesmo entregando resultados. Já quem consegue organizar e expor as ideias tem mais chances de ganhar visibilidade, participar de decisões e ser promovido no trabalho.
—
E se você quiser desde já treinar sua habilidade de falar em público, não perca o curso online e gratuito Comunicação Assertiva No Trabalho. São três horas de conteúdo para você aprimorar sua capacidade de persuasão e apresentação no ambiente corporativo. Mais de 1.500 pessoas já fizeram este curso. Entre você também nesta lista. Acesse aqui.
—
É possível eliminar o nervosismo antes de falar para grupos?
A palavra-chave não é eliminar o nervosismo, até porque alguma ansiedade é normal ter. O objetivo é conseguir falar mesmo com esse frio na barriga, sem travar. Com prática, os sintomas diminuem.
Existem exercícios que podem ser feitos no dia a dia para treinar a fala?
Sim. A leitura em voz alta ajuda na clareza. Gravar áudios curtos explicando temas do trabalho para alguém de fora da área desenvolve síntese e organização de ideias.
Por que minha mente “dá branco” na hora de falar?
Isso acontece por causa da ansiedade, que coloca o corpo em estado de alerta, o que afeta a memória.
Falar bem é algo que qualquer pessoa pode aprender?
Sim. A oratória é uma habilidade como todas as outras. Com técnica e repetição, qualquer pessoa evolui.