

Redação Na Prática
Publicado em 15 de abril de 2026 às 14:33h.
Por Denise Gabrielle
Ainda era madrugada quando muitos dos participantes da Conferência de Carreira 2026, do Na Prática, começaram suas jornadas rumo a São Paulo. Para alguns, a viagem significou horas na estrada; para outros, voos em horários pouco convencionais. Em comum, todos carregavam o mesmo objetivo: aproveitar uma oportunidade que, para muitos, não existe onde vivem.
Foi o caso de Lainara Justiniano, de 23 anos, estudante da Universidade Federal Rural da Amazônia, em Belém (PA). Ela saiu de casa às três e meia da manhã e chegou à capital paulista pouco antes das sete, após enfrentar atraso no voo. Viajou sozinha e sem garantias.
“Quando me inscrevi, eu não sabia se ia ser aprovada nem como viria. Mas confiei que tudo ia dar certo”, conta. Em um momento decisivo da carreira, conciliando faculdade, estágio e trabalho CLT, ela reorganizou a rotina para estar presente na Conferência, afinal o evento reúne 20 das principais empresas do país, com vagas abertas para estágio, trainee e de analista. “É um divisor de águas”, complementa.
A decisão de atravessar estados, muitas vezes sem companhia, aparece como um ponto em comum entre os jovens. Kamilly (na foto do topo desta matéria), de 22 anos, estudante de engenharia química em Ponta Grossa (PR), enfrentou uma viagem em dois ônibus, atraso e mal-estar na jornada.
“Teve um momento em que pensei: por que estou indo? Mas o propósito de encontrar as empresas e as pessoas fez valer a pena”, diz. Mesmo no início da carreira, ela se mostra aberta a diferentes caminhos: “Eu gosto do modelo presencial de trabalho, mas estou aberta.”

Se para alguns a jornada é individual, para outros acontece em grupo. Uma das novidades da edição deste ano da Conferência de Carreira foram as caravanas organizadas pelo Na Prática, em parceria com universidades de diferentes estados.
Foram ônibus e micro-ônibus que saíram de quatro cidades (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Lavras), entre o fim da noite do domingo e o começo da madrugada de segunda, e levaram mais de 150 alunos para a Conferência. Elas revelam outro lado desse movimento: o coletivo.
Participante da caravana do Rio de Janeiro, Emanuelle Fonseca, de 20 anos, estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), chegou por volta das três da manhã após sair na noite anterior, em uma viagem feita com cerca de 40 participantes ligados ao movimento Empresa Júnior.
Para ela, vir acompanhada também muda a experiência. “Você sente que está representando um movimento maior do que só você”, diz. Ao mesmo tempo, reforça que o principal valor do evento está no contato direto com pessoas e empresas. “Não é só uma conexão no LinkedIn, é ter uma conversa de verdade.”
Durante a Conferência, a interação entre os alunos e as empresas acontece principalmente nas mesas de relacionamento. Nelas, os participantes podem conversar sobre carreira, tendências do mercado de trabalho e, é claro, vagas abertas com recrutadores e também com lideranças das empresas presentes.
Outra caravana veio da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, com cerca de 65 estudantes que chegaram à Conferência em dois ônibus. A viagem, no entanto, não foi tranquila. Um dos veículos quebrou durante a madrugada, obrigando o grupo a esperar por horas na estrada.
Samara Victoria, estudante de Direito, acompanhou de perto o imprevisto. Ainda assim, não cogitou desistir, mesmo em recuperação de uma cirurgia recente. “Eu estou recém-operada, tem pouco mais de 15 dias. Meu namorado preferia que eu ficasse em casa, mas eu falei: não vou perder. Ainda mais tendo sido selecionada para apresentar o pitch”, diz.
O pitch, aliás, é uma atividade à parte da Conferência, na qual participantes selecionados são convidados para apresentar sua trajetória em dois minutos para recrutadores e lideranças de grandes empresas. Depois, eles têm um minuto para responder dúvidas.
“O que me motiva é a troca. Aqui eu consigo conversar com pessoas que eu não conheceria de outra forma e entender de verdade como são as empresas. Muita gente na minha cidade não se sente pertencente a essas oportunidades por estar no interior. Eu quis mostrar que é possível”, acrescentou. Para ela, a experiência também ajuda a alinhar expectativas: “Às vezes você idealiza uma empresa, mas só na conversa percebe que não é o que imaginava.”

Essa busca por conexão direta com o mercado aparece como um dos principais motores das viagens. Em muitos casos, a Conferência representa acesso a oportunidades concentradas em São Paulo.
A cientista de dados Ana Catarina, de 22 anos, veio de São José do Rio Preto após viagem de sete horas de ônibus. Em busca de uma nova oportunidade em tecnologia, ela conciliou banco de horas no trabalho para conseguir participar. “Dentro da faculdade a gente já tem networking, mas aqui é diferente. Tem gente do Brasil todo”, diz. Embora priorize vagas remotas, não descarta uma mudança: “Se fosse uma oportunidade boa, eu pensaria em vir.”
Entre deslocamentos longos, decisões arriscadas e imprevistos pelo caminho, a jornada desses jovens revela mais do que esforço logístico. Expõe uma disposição clara de se movimentar, física e profissionalmente, para ampliar as oportunidades. Afinal, crescer é decisão.
E se você curtiu a Conferência de Carreira 2026 ou quer conhecer o evento, as pré-inscrições já estão abertas para a edição de agosto. Acesse aqui!