

Marcela Marcos
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 17:26h.
Uma entrevista em inglês pode avaliar muito além do domínio do idioma. Nela, o recrutador pode observar como o candidato organiza ideias, descreve experiências profissionais e tem vocabulário para responder todo o tipo de questões.
No entanto, por se tratar de um idioma estrangeiro, a preparação deve começar com antecedência. Uma boa forma de fazer isso é conhecendo as perguntas mais comuns e treinando o vocabulário relacionado à vaga.
A seguir, a gente te ajuda com isso!
O inglês continua sendo uma habilidade relevante em processos seletivos que envolvem equipes internacionais ou clientes estrangeiros.
Na pesquisa “Idiomas e Habilidades”, realizada pela Pearson e pela Opinion Box, com 7.088 pessoas, 13% dos entrevistados que disseram ter algum conhecimento de inglês se consideraram fluentes; entre esse mesmo grupo, 49% declararam nível básico e 38%, intermediário.
A relevância do inglês também aparece em levantamentos sobre remuneração. Em dados da Catho, profissionais com inglês avançado apresentavam remuneração média até 155% maior no grupo de diretores, supervisores e coordenadores do que profissionais sem conhecimento do idioma. Entre consultores, a diferença indicada chegava a 170%.
Os números não significam que o inglês, isoladamente, determine a remuneração. A diferença também está relacionada ao cargo, à experiência e às características de cada profissional. O idioma, porém, pode fazer parte dos requisitos para determinadas posições.
As perguntas variam de acordo com a empresa, o cargo e a etapa do processo seletivo, mas algumas aparecem com mais frequência, por isso valem a preparação.
A pergunta Tell me about yourself é o equivalente em inglês ao “Fale sobre você”. O objetivo da resposta não é apresentar sua história completa, mas relacionar sua trajetória com a vaga.
A resposta pode começar pela posição atual ou mais recente, passar por experiências relevantes e terminar com a relação entre essa trajetória profissional e a oportunidade. Uma resposta de dois minutos costuma ser suficiente.
Exemplo:
“I’m a recent Marketing graduate, and over the past year I’ve been working as a marketing intern at a fintech startup, where I helped manage our social media and email campaigns. One of my proudest results was a newsletter redesign that increased our open rate by 25% in three months. That experience taught me how to work with data, collaborate with different teams, and adapt quickly in a fast-paced environment. Now I’m looking for a role where I can keep growing in digital marketing, and this position stood out to me because it combines creativity.”
A pergunta sobre pontos fortes e fracos exige uma resposta que tenha ligação direta com o trabalho, o que quer dizer que afirmações sobre personalidade que não tenham relação com o trabalho devem ficar de fora
Para os pontos fortes, vale escolher competências que tenham relação com a descrição da vaga e apresentar uma situação em que elas foram utilizadas.
Ao falar sobre uma dificuldade, é possível mencionar uma habilidade que ainda está sendo desenvolvida e explicar quais medidas já foram tomadas para melhorar.
Exemplo:
“I used to struggle with public speaking, especially when presenting to larger groups. I realized it could limit my growth, so I started volunteering to present our monthly results to the team and joined a workshop on presentation skills. I’m not fully there yet, but I’ve already seen real progress, and I feel much more confident now than I did a year ago.”
Why do you want to work here? significa “Por que você quer trabalhar aqui?”.
A resposta deve demonstrar conhecimento sobre a empresa e sobre a função. Informações sobre produtos, serviços, área de atuação ou projetos recentes podem ajudar a construir o raciocínio aqui.
O candidato também pode explicar como a experiência profissional e os objetivos de carreira se relacionam com a posição.
Exemplo:
“I admire how your company makes sustainable fashion accessible through its recycled-fabric line. My social media internship taught me how to build communities around a brand’s values, and I’d love to do that for a mission I believe in.”
A pergunta Where do you see yourself in five years? busca entender expectativas profissionais e planos de desenvolvimento.
Para responder, não é preciso cravar um cargo exato como resposta. O candidato pode falar sobre competências que pretende desenvolver, tipos de responsabilidade que gostaria de assumir ou áreas nas quais deseja se especializar.
Exemplo:
“In five years, I see myself having grown into a role with more responsibility, ideally leading small projects in digital marketing. I’d like to deepen my skills in data analysis and strategy, and I hope to build that path here while contributing to the team’s success.”
Muitas das perguntas feitas em entrevistas de emprego podem exigir exemplos de situações vividas no trabalho. Nesses casos, o método STAR pode ajudar a organizar a resposta.
A sigla corresponde a:
Esse método organiza a resposta em uma sequência que apresenta o contexto, a responsabilidade do candidato, as ações realizadas e o resultado alcançado.
O método não precisa ser mencionado durante a entrevista. A estrutura serve para organizar o raciocínio antes e durante a resposta.
Um dos problemas durante uma entrevista em outro idioma é interromper a resposta ao esquecer uma palavra.
A tentativa de encontrar a tradução pode aumentar a pausa e dificultar a continuidade da conversa. Para contornar essa situação, uma alternativa é explicar o conceito com outras palavras ou usar um termo mais conhecido.
Também é possível pedir esclarecimentos quando a pergunta não foi bem entendida. Expressões como Could you please repeat the question? e Could you please rephrase that? podem ser usadas para solicitar repetição ou reformulação.
O nível de inglês informado no currículo deve corresponder à capacidade de comunicação demonstrada durante o processo seletivo. A descrição da proficiência precisa ser compatível com as habilidades do candidato no idioma.
O Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas, conhecido como CEFR, organiza a proficiência em níveis de A1 a C2 e considera diferentes capacidades de comunicação.
Uma pessoa que compreende textos profissionais, mas encontra dificuldade para participar de reuniões, por exemplo, deve considerar essa diferença ao descrever o próprio nível.
A entrevista também permite demonstrar o que já é possível fazer em inglês. Pequenos erros não precisam interromper a resposta, desde que não impeçam a compreensão da mensagem.
A tentativa de parecer mais fluente do que realmente é pode dificultar a comunicação. Frases muito elaboradas, palavras pouco conhecidas e respostas decoradas aumentam a chance de perder o fio da explicação quando o recrutador fizer uma pergunta diferente.
O candidato também não precisa acelerar a fala para demonstrar domínio do idioma. Uma resposta organizada e compreensível pode ser mais eficiente do que uma fala rápida com muitas interrupções.
Antes considerado um problema, o sotaque já não precisa ser eliminado. As pessoas que aprendem inglês como segunda língua podem manter características da pronúncia de seu idioma de origem, mas é preciso prestar atenção à compreensão entre as pessoas na conversa.
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