No 8/3, conheça 8 estudantes universitárias que estão transformando o mundo

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Marcela P.

Publicado em 8 de março de 2026 às 02:42h.

Neste Dia Internacional da Mulher (8 de março), poderíamos falar sobre números. Sobre a proporção de mulheres em cargos de liderança, sobre a diferença salarial entre gêneros, sobre as estatísticas que comprovam o que muitas mulheres já sabem na pele. Mas, desta vez, a escolha foi outra.

A escolha foi falar sobre escolhas.

Porque há algo que os dados não capturam com facilidade: o momento em que uma pessoa decide que a inquietação não vai ficar só dentro dela. Que está na hora de colocar a mão na massa e mudar a realidade que vive. Que desenvolverá um projeto. E que esse projeto vai gerar impacto, inspirando outras pessoas a também fazer acontecer.

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É isso o que oito estudantes estão fazendo, entre uma prova e outra, ainda dentro da universidade. Elas são do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Vivem realidades distintas, enfrentam contextos diferentes, mas compartilham algo em comum: não esperaram o diploma para começar.

Em ordem alfabética, conheça quem está construindo mudanças antes mesmo de colar grau.

Leia mais: Protagonistas da Mudança: Uma conversa com Anamaíra Spaggiari, da Fundação Estudar

Anita Okunde (Reino Unido)

Estudante de Philosophy, Politics and Economics (PPE) na University of Oxford, no Reino Unido, Anita Okunde une formação acadêmica rigorosa com atuação prática em participação política.

Ela fundou o Vox Populi Collective, iniciativa de empreendedorismo social que amplia o acesso de jovens — especialmente mulheres e minorias — ao debate público. O coletivo promove discussões e formação em temas como clima, direitos humanos e justiça social.

Anita também foi palestrante do Tedx, eleita líder negra do futuro e se tornou a primeira mulher negra presidente da Oxford Union, uma das sociedades de debate mais tradicionais do mundo. Durante sua gestão, priorizou inclusão, diversidade e a ampliação de vozes historicamente sub-representadas.

Conheça os vencedores do Prêmio Na Prática 2025

Danielle Birchett (EUA)

Aluna da Northeastern University, dos EUA, Danielle é fundadora da Aurora Health Tech, startup que desenvolve tecnologia vestível com inteligência artificial voltada para pessoas com paralisia cerebral.

O dispositivo criado por sua equipe monitora padrões musculares para prever episódios de distonia — condição caracterizada por contrações musculares involuntárias que podem causar dor intensa, movimentos repetitivos e perda de controle motor.

Ao identificar sinais de episódios de distonia por meio de IA, o sistema envia alertas, permitindo que a pessoa ou seus cuidadores tomem medidas preventivas antes que o episódio se agrave.

A iniciativa foi reconhecida com destaque no Innovator Awards 2025, reforçando o potencial da tecnologia acessível aplicada à saúde. Danielle também é voluntária na área de neuropediatria do Boston Children’s Hospital.

Emilly Raiane Rodrigues (Brasil)

Estudante de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Emilly participou de um projeto internacional de nanossatélites da agência espacial francesa, no qual desenvolveu sistemas de recuperação autônoma de computadores de bordo.

A solução da qual ela participou do desenvolvimento elevou em 98% a disponibilidade de satélites e reduziu em mais de 85% o tempo de inicialização.

Vencedora do Prêmio Na Prática em 2025, ela realizou, ainda, uma pesquisa aplicada no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, focada em controle de órbita de satélites, e cofundou a Escola Piloto de Engenharia Aeroespacial, a primeira da América Latina, voltada à democratização da formação científica e tecnológica, impactando mais de 2.000 estudantes.

Gabriela Santos Mendanha (Brasil)

No Ver Hospital dos Olhos, vinculado à PUC-Goiás, instituição onde estuda, Gabriela criou um algoritmo de Inteligência Artificial para interpretar tomografias de córnea no pré-operatório de cirurgias refrativas — um dos maiores desafios da oftalmologia.

O modelo atingiu mais de 80% de acurácia, reduziu 70% dos custos de triagem e gerou economia média de R$ 37 mil. Esse trabalho foi reconhecido pelo Bascom Palmer Eye Institute (EUA).

Vencedora Nacional do Prêmio Na Prática de 2025, Gabriela também dá aulas e prepara jovens para competições como a Olimpíada Brasileira de Física e a International Young Physicists’ Tournament.

Naomi Nascimento Ferreira (Brasil)

Como fundadora e presidente da Missão Mulher Saudável, a estudante de medicina da UFC liderou uma iniciativa inédita que levou educação sexual, planejamento familiar e inserção de DIUs a comunidades do interior do Ceará.

O projeto já beneficiou mais de 300 mulheres, capacitou 60 profissionais da atenção básica e alcançou cerca de 1.000 estudantes com ações educativas sobre saúde menstrual, dor pélvica e contracepção.

Outra vencedora do Prêmio Na Prática — Protagonismo Universitário de 2025, Naomi também criou e presidiu a Liga Acadêmica de Ginecologia Minimamente Invasiva (MIGS/UFC) e teve papel estratégico na Expedição Cirúrgica USP–UFC.

Leia Mais: Confira as melhores fotos da imersão na China dos vencedores do Prêmio Na Prática

Narayane Ribeiro Medeiros (Brasil)

Também ganhadora do Prêmio Na Prática, Narayane liderou o projeto GeoPredict, que aplicava Inteligência Artificial e processamento de imagens para análises ambientais e climáticas.

A iniciativa conduzida por ela foi finalista global de uma competição da NASA em 2024 (International Space Apps Challenge), entre mais de 10 mil projetos. Estudante de Engenharia Aeroespacial do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ela venceu o Prêmio Carolina  Bori “Ciência & Mulher”, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, é pesquisadora da Fapesp em parceria com a Embraer, no projeto FLYMOV, que simula a “montagem colaborativa multifuncional de aeronaves”, além de presidente da ITACube e master researcher da ITAndroids.

Olivia Zhang (EUA)

Aos 14 anos e dois lutos no coração — o do avô e o da professora do ensino fundamental, duas pessoas que a criaram —, Olivia fundou a Cancer Kids First, que nasceu da dor se tornou uma das maiores ONGs juvenis de combate ao câncer do mundo.

Segundo a Forbes, a Cancer Kids First atua para transformar o hospital em um lugar menos assustador para crianças com câncer. São três frentes: kits de arte e atividades criativas, doação de suprimentos médicos a hospitais de baixa renda e eventos virtuais que aproximam pacientes de experiências além das quatro paredes de uma enfermaria. O resultado, até hoje: mais de 600 mil dólares em doações, 74 hospitais atendidos e mais de 10 mil pacientes apoiados em 22 países.

Estudante de Harvard, Olivia coleciona reconhecimentos que refletem a dimensão do seu impacto: está na lista 30 Under 30 da Forbes na categoria impacto social, foi eleita Women of Worth pela L’Oreal Paris em 2025, é palestrante TEDx e autora do livro YOUth.

Sophia Lin (EUA)

Com 14 anos e em pleno distanciamento social, Sophia Lin cofundou a iReach — uma plataforma de tutoria online gratuita que nasceu como resposta ao momento que o mundo estava vivendo e cresceu até reunir 500 jovens voluntários nos Estados Unidos, China e Índia.

Desde então, passou a se dedicar a políticas públicas, tendo apresentado recomendações sobre retenção de professores, acesso ao ensino superior e acessibilidade educacional diante do Arizona State Board of Education, ao lado do governador do estado e do prefeito de Scottsdale, cidade do Arizona onde resisidia.

Segundo a Forbes, ela também é palestrante do TEDx, artista, escritora, fundadora e pesquisadora de inteligência artificial. Também transita entre economia, tecnologia educacional e políticas públicas com um objetivo claro: direcionar recursos educacionais para quem mais precisa, usando dados e inovação como ferramentas de impacto real.

Caloura de Stanford, Sophia acumula reconhecimentos que traduzem a seriedade do seu trabalho: figura na lista 30 Under 30 da Forbes na categoria educação, é ganhadora do Diana Award, integrou o Senate Youth Program em 2025 e foi selecionada como Coca-Cola Scholar no mesmo ano — uma das bolsas de ensino superior mais competitivas dos Estados Unidos para jovens com impacto comprovado.

Leia também: O que é pioneirismo e como ser um jovem pioneiro

O que essas histórias têm em comum?

Nenhuma das estudantes universitárias que estão transformando o mundo ainda na graduação esperou o “momento ideal”.

O Dia Internacional da Mulher é, sim, um marco simbólico, mas, acima disso, é ainda um lembrete prático: quem quer deixar uma marca não espera para começar.

Por fim, um lembrete, o Prêmio Na Prática – Protagonismo Universitário está com pré-inscrições abertas. Se você está na universidade e desenvolve projetos de impacto, participe! Saiba mais aqui.

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