

Denise Gabrielle
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 13:36h.
Para quem está começando a carreira, a universidade onde estudou ou a área de formação nem sempre é o que mais chama a atenção dos recrutadores.
Durante a Conferência de Carreira 2026, evento de recrutamento organizado pelo Na Prática, representantes de organizações como Unilever, Bradesco, Zamp e Ensina Brasil explicaram o que as empresas buscam nos jovens e quais comportamentos, experiências e atitudes ajudam a identificar pessoas com potencial.
Na visão de Suellen Souza, do time de marketing da Unilever, o primeiro diferencial pode aparecer antes mesmo de o candidato falar sobre suas experiências: ter iniciativa.
Durante a Conferência, ela percebeu que alguns jovens passavam pelas mesas de relacionamento das empresas, ouviam as conversas, mas não se aproximavam. Para ela, quem toma a iniciativa de interagir já demonstra uma característica importante: “A principal habilidade é essa, de você estar disposto. Já que você está aqui no evento, esteja aberto a conversar”, disse.
Ela destacou que a conversa não precisa necessariamente resultar em uma vaga naquele momento. No evento, ela interagiu com uma estudante que não conhecia uma das áreas da Unilever e descobriu que sua formação poderia fazer sentido para aquela oportunidade.

A troca, nesse caso, também serviu para ampliar a visão que a participante tinha sobre as possibilidades para a própria carreira.
Para Carolina Dias, analista de recrutamento do Ensina Brasil, o curso de formação não é o principal filtro para escolher os jovens que participam dos processos seletivos da organização. O programa busca jovens de diferentes áreas e valoriza trajetórias que demonstrem envolvimento e iniciativa.
Experiências em entidades estudantis, centros acadêmicos, cursinhos populares, empresas juniores e trabalhos voluntários, por exemplo, podem ajudar a mostrar esse perfil. “Valorizamos muito trajetórias de impacto”, explica Carolina.
Esse ponto também apareceu na conversa com Luigi Gioia, da Zamp (operadora de restaurantes das marcas Burger King e Starbucks, entre outras, no Brasil). Ele destacou a participação em organizações estudantis como um diferencial. Para ele, experiências desse tipo ajudam a desenvolver maturidade, trabalho em grupo e uma visão mais ampla sobre como transformar projetos em entregas.
Na Zamp, uma das características mais procuradas é o protagonismo. Luigi explica o que a empresa busca em jovens são pessoas dispostas a assumir responsabilidades e interessadas em compreender o negócio para além de uma única área. “É aquela pessoa que quer protagonizar a própria carreira”, define Gioia.
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Para quem está disputando uma primeira oportunidade no mercado de trabalho, a ausência de uma grande experiência profissional não significa estar em desvantagem.
Bruna Zoadelli, da área de recrutamento e seleção do Bradesco, conta que costuma orientar os estudantes a se apresentarem como uma “tela em branco”, mas com disposição para aprender, contribuir e se desenvolver.
“Seja uma tela em branco e esteja disposto a se desenvolver, a agregar conhecimento, a contribuir com o que a formação te traz”, afirma.
Nesse estágio da carreira, a formação acadêmica já demonstra parte do conhecimento teórico que o candidato acumulou. O que ganha importância, então, é a disposição para transformar esse conhecimento em resultados.
Para ela, uma das habilidades necessárias é a capacidade de estabelecer uma conexão, algo que, em um processo de seleção cada vez mais mediado por tecnologia, continua tendo peso. “É importante saber conversar, saber se comunicar, olho no olho”, conclui.
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As conversas que aconteceram durante as mesas de relacionamento na Conferência de Carreira mostram que não existe uma fórmula única para se destacar em processos seletivos.
Comunicação, iniciativa, protagonismo, experiência em atividades coletivas e de impacto e disposição para aprender aparecem como sinais diferentes de um mesmo ponto: o potencial de desenvolvimento.
Eles ganham evidência na forma como o jovem conduz as interações, conta sua trajetória, participa de projetos ou demonstra curiosidade sobre uma área que ainda não conhece. E talvez esse seja justamente um dos maiores aprendizados para quem está começando: a maneira como o candidato se comunica ajuda o recrutador a imaginar o que ele pode construir a partir dali.
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Ficou interessado na Conferência de Carreira? A próxima edição do evento está prevista para março de 2027. Não perca.